O Papa, nós e Deus.

Estava, hoje mais cedo pensando na vinda no Papa ao Brasil e, apesar de negar a representação de Deus na figura daquele homem, não consigo deixar de nutrir certa simpatia com o Sumo Pontífice da igreja católica. O velhinho é simpático. Aquele sorriso sempre presente, a recusa em adotar protocolos que o mantenha longe da multidão de fieis e, principalmente, a simplicidade me cativam, essa última provavelmente fruto de uma estratégia política adotada pela igreja romana, mas deixa isso pra próxima.

Contudo o que mais chamou minha atenção foi o fato de como a figura do velhinho é explorada pelos oportunistas de plantão. É o dito porta-voz de Deus
presente no Brasil e a Dilma, no discurso de recepção, só se referiu ao nome do moço quando era pra citar as realizações do governo, o prefeito e o governador do Rio são dois papagaios de pirata que a cada espirro de Francisco estão cada um com um lenço na mão prontos a limpar o santo nariz, a televisão só cobre a história pra ter audiência e consequentemente, quem anuncie nos intervalos comerciais, e os fiéis só estão atrás das bênçãos ou da simples oportunidade dizer que o viu. É notável como não se nota uma adoração ou veneração a Deus nesses momentos. Fiquei me perguntando como seria se o próprio Deus viesse, ou melhor, voltasse.Fiquei mesmo! Imagina como seria se ao invés do Papa, Cristo voltasse agora e desse início ao juízo final. 

Vi uma entrevista do Ricardo Boechat para o programa Agora é Tarde em que o Danilo Gentili propões em tom de brincadeira que o jornalista noticie o fim do mundo. Apesar do clima de descontração próprio do programa, acredito que retrata muito bem como a possibilidade do dia do juízo seria encarada. Nem digo o fim do mundo, mas como a possível visita de Deus seria recebida pela humanidade. Duvido que Dilma e companhia não fizesse, ou pelo menos tentasse fazer as mesma coisa. Deus hoje é um cabo eleitoral, um meio de autopromoção, um distribuidor de bênçãos ou um mega star que veio fazer uma visita. Das duas umas ou perdemos a noção do sagrado, do santo, ou nunca soubemos o que de fato essas coisas são.

Bom, assista o vídeo com a parte da entrevista que citei. Se quiser veja entrevista completa clicando aqui.




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