Naturalmente Milagroso

Alguns dias atrás escrevi um pensamento que falava de milagres. Dizia mais ou menos que é possível encontrar milagres em toda parte pelo simples motivo de que a realidade é milagrosa. Fiquei pensando no que isso realmente significava quando um amigo externou-me a intenção de refutar esse pensamento. Quis eu mesmo saber o que significa a “existência é milagrosa” ou pelo menos o que eu quis dizer com isso.

Antes de tudo milagre compreende aquilo que foge ao natural, aquilo que interrompe com o determinismo que a natureza impõe e que não pode ser explicado por ela. Sem dúvida aí reside o fato de milagres serem sempre atribuídos ao sobre-natural, àquilo que está acima da natureza. Mas o fato de milagres serem a ruptura com as leis naturais, não implica necessariamente que a natureza não seja milagrosa, afinal como todo bom cristão sabe, a natureza é obra do sobre-natural.

Segundo, a ideia era criticar a necessidade de milagres ou rupturas com a realidade que corroborem a existência de Deus. Como se o amanhecer já não o fosse grande coisa, ou o crescimento das plantas, o sacudir das ondas, o cheiro do mar, os filhos, os filhotes, as pessoas e tudo o que pode ser considerado Realidade ou Existência. A natureza é um milagre que Deus tornou comum para que possamos nela reconhecer Ele e o fato de algumas vezes,
mais raras que frequentes, haver uma intervenção que rompa com as regras naturais, não dá direito a ninguém de querer fazer da exceção a regra. Se assim for o milagroso será naturalmente comum e nos colocaremos diante do Todo Poderoso implorando por ordem onde só haverá caos.

Fico pensando nos bebês que ficam intrigados com a capacidade de segurar um objeto entre os dedos e maravilhados pegam brinquedos e lançam longe, só para vê-los serem projetados no espaço e caírem distante. Com o passar do tempo essas coisas passaram a não ter mais o mesmo efeito na curiosidade. Então o que antes para nós era um milagre passa a ser natural e deixamos de nos surpreender com a natureza pelo simples fato de podermos repetir um processo quantas vezes quisermos e passamos a querer que uma força maior venha e lance o objeto para nós pelo simples motivo de estarmos cansados de nós mesmos lançá-lo.

Pessoalmente falando, gosto dos tipos de milagre que não rompem com as leis naturais, mas às utiliza. Estes são talvez o mais intrigantes de todos os tipos possíveis e incrivelmente comuns, tão comuns que muitas das vezes que eles acontecem nem nos damos conta. O meu preferido é o milagre da sincronicidade, ou o bom e velho “estar no lugar certo na hora certa”. E esse só pede duas coisas uma que exponhamos o nossos desejos, aflições e situações aprisionadoras diante do Grande Fazedor de Milagres, a outra é que nos ponhamos a andar.

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