Novo Nascimento

"aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3)


Uma das questões que sempre formigaram na minha mente se refere ao fato do crente continuar pecando mesmo depois de receber de Deus, mediante a Graça, a fé em Cristo Jesus que nos habilita a viver eternamente. Quero dizer, quais efeitos a conversão ao Evangelho de Cristo realmente acontece na vida daquele que recebe tal evento? Mas é possível limitar a conversão a efeitos colaterais, ou dentro de uma limitada lista de fatos que se desenvolvem dentro de determinado indivíduo que recebe a Vida pela Graça?


Digamos que determinado sujeito tem conduta ilibada em todos os campos da sua vida. Honesto, civilmente responsável, marido impecável, pai exemplar. Digamos que esse ser humano exista. Mas digamos também que esse indivíduo seja ímpio, mais ainda, digamos que seja alheio à qualquer religião, não acreditando nem deixando de acreditar que qualquer ser superior e eterno exista ou sequer numa vida após a morte. Qual a conversão ao cristianismo efeito teria sobre essa pessoa?

O Novo Nascimento

A bíblia alude a conversão em Cristo a um novo nascimento. Como o próprio Senhor Jesus disse a Nicodemos: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3). E seus efeitos ocorrem de maneira diversa nos que o recebem como afirma a enciclopédia britânica: "O novo nascimento é expresso em um novo alinhamento da vontade, na liberação de novos recursos e poderes [possibilidades] que até então eram pouco desenvolvida na pessoa em causa. Como uns intelectual, que leva a uma ativação dos recursos para a compreensão, para a descoberta de uma "visão ". Com outros, leva à descoberta de uma beleza inesperada na ordem da natureza ou para a descoberta do sentido misterioso da história. Com outros ainda leva a uma nova visão da vida moral e de suas ordens, a uma realização altruísta de amor ao próximo. ... Cada pessoa afetada percebe a sua vida em Cristo, em determinado momento como " novidade de vida."[1]

Essa visão nos diz que somos incompletos até que novamente nasçamos para que nos seja despertado um novo modo de enxergar a vida. Se por um lado moralmente ilibado o comportamento do nosso exemplo hipotético, os efeitos que a conversão trariam a vida dessa pessoa seriam diversos. Fico pensando no apóstolo Paulo antes da sua conversão que moralmente ilibada sua postura, embasada na visão apontada pelo judaísmo, tomou rumos esplendidos e que se não fosse o seu encontro com Cristo no caminho para Damasco não seria despertado. O mais curioso é que a sua experiencia com o judaísmo o leva a anunciar o cristianismo entre os gentios. Se por um lado sua base judaica lhe apontava o povo judeu como o escolhido, a conversão de Paulo a Cristo lhe amplia a visão, dando-o a consciência de que o Evangelho de Cristo era para ser anunciado "em toda judeia, e Samaria e até os confins da terra."

[1] Encyclopædia Britannica, entry for The Doctrine of Man (from Christianity), 2004.

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