O Capacete da Salvação



“Tomai também o capacete da salvação...” (Efésios 6;17a)


Algumas conjecturas

Mantenho salvo na minha mente que a melhor maneira de entender a imagem que Paulo pinta da armadura de Deus é se pondo no lugar dele. Como Aos Efésios é uma carta escrita durante a prisão de Paulo em Roma, é possível deduzir que nesse encarceramento Paulo contasse com a vigilância de um ou mais legionários romanos com todo aparato que era próprio desses soldados. Provavelmente tenha nascido da observação desses soldados a metáfora da armadura e das implicações que cada parte que a compunha teria na guerra contra principados e potestades.

Fico imaginando aquele senhor judeu, empunhando uma pena e debruçado sobre uma mesa, escrever num pergaminho. De vez em quando, seus olhar se levanta do papel e é dirigido àquele que tem a incumbência de impedir sua fuga a fim de analisar sua armadura e apontar quais daqueles equipamentos poderiam ser usados pelo crente, de qual material seriam feitos e qual seria sua utilidade para ele (Paulo) e para nós que compartilhamos da mesma fé.


Gosto também como é descrita a armadura. O relato segue um encadeamento que é como se o apóstolo estivesse assistindo o soldado se equipar e na alusão ao que acontece com os que são chamados para a conversão, podemos encontrar o mesmo processo: cingir os lobos com [o manto da] a verdade, vestir a couraça da justiça, calçar os pés na preparação do evangelho da paz, tomando o escudo da fé, tendo em mente a salvação não só como gloria vindoura, mas também como garantia do presente, empunhar a espada da justiça e manter-se em constante oração.

O capacete.

Vejo essa parte da armadura não como uma proteção aos nossos pensamentos por que a armadura descrita por Paulo não tem nenhum objetivo de proteger alguma coisa interna nossa, mas de descrever o que do nosso relacionamento com Deus pode ser representado por peças de uma armadura. Quer ver só. O que a couraça é? É a justiça. Um atributo de Deus imputado em nós. O escudo representa o que? Representa a fé. Outro atributo pertencente a Deus que é imputado em nós.

E assim se segue com a espada, com a verdade, calçados os pés na preparação do evangelho. Nunca existe uma função específica para as peças da armadura (exceto para o escudo), mas sim aquilo que cada parte dela representa no contexto da guerra espiritual. Então o capacete da salvação não seria uma proteção para os nossos pensamentos, mas um atributo imputado em nós por Deus.

Quando li esse trecho pela primeira vez fiquei me perguntado como a salvação poderia ser proteção como o capacete o é. Reparei que o capacete é a ultima peça de proteção descrita na armadura, a última linha de defesa do crente. A verdade é rasgada e já é duvidosa no coração, diversas dardos já acertaram a justiça, os pés já não mantém o estado de preparação que tinham antes e empunhar a fé já não é tão simples, uma coisa deve será se manter fixa no crente, a salvação. Então o capacete da salvação é uma certeza dupla: primeiro é a garantia do presente, de “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8;28), então a salvação é nesse aspecto uma certeza no presente de que tudo está sob o controle de Deus e tudo o que Ele faz é bom. Segundo a salvação é a garantia de uma glória vindoura que se cumprirá após as batalhas do presente e será um estado perpetuo que os soldados experimentarão.  

Então se por um lado o capacete da salvação é uma garantia da vitória nesse tempo também uma certeza de vitória por toda a eternidade e isso deve ser lembrado pelo crente durante as batalhas que travar.

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