Crentes, Gays e o Boticário


Uma questão que faz muito barulho já tem um tempo é a relação entre o cristianismo evangélico e, como gostam de ser chamados, a comunidade LGBT. Uma briga sem sentido entre setores que não são inimigos, alimentada por pessoas não só são despreparadas, mas também mal intencionadas. A última foi com relação à propaganda do o Boticário que resolveu incluir nos seus comerciais casais do mesmo sexo.

Antes de continuar quero deixar claro que tenho consciência de que a bíblia condena o homossexualismo e o faz do mesmo modo com a mentira, o adultério, a cobiça, etc. Mas existe uma confusão muito grande entre o que compete ao crente no âmbito religioso e o que o compete no âmbito social. Deixa eu me explicar.

No texto intitulado Politicamente Incorreto expliquei que os papéis que competem ao crente na sociedade são não poucas vezes extrapolados e passamos a confundir nossas incumbências. Quero dizer que inseridos numa sociedade, temos direitos e deveres sociais que são aplicáveis à sociedade, e no âmbito religioso têm direitos e obrigações que são próprias somente daqueles que compartilham da mesma fé que nós. O que parece é que essa compreensão não existe ou é completamente ignorada por nós cristãos.

Enquanto inseridos numa sociedade temos a obrigação e o dever de cumprir as regras da sociedade pela consciência de que essas regras são as melhores para a manutenção e perpetuação da ordem social, mas quanto a nossa condição de crente não temos o direito de impor um ponto de vista à sociedade mesmo que seja uma pratica que nossa religião condena. Eu como crente não tenho o direito de interferi no desejo de homens se casarem com cachorros ou gatos ou árvores no âmbito social, mas tenho o dever de proibir e me manifestar contra a celebração desse tipo de união religiosa dentro da minha religião. Se quisermos manifestar socialmente o voto contra, não deve ser com apoio da bandeira cristã por que não se trata de uma questão cristã, mas de uma questão social e amparado por dados sociais. O mesmo se aplica a tal comunidade LGBT que não tem o direito de legislar ou reivindicar leis que obriguem o descumprimento de ordenanças bíblicas. Socialmente falando tem todos os direitos, mas não podem exigir a obrigatoriedade de igrejas evangélicas realizarem casamentos religiosos.

Quanto ao boicote a o Boticário, é de uma estupidez sem tamanho. A tal campanha nada mais é do que uma empresa se aproveitando de mais um nicho de consumo (como fez tantas outras) e esse estardalhaço todo está tornando a estratégia de marketing mais eficiente ainda, se Malafaia e cia estivessem preferido se calar, provavelmente passaria sem maior barulho, mas é pedir demais. E pedir boicote por isso é absurdo sem tamanho! Ninguém pede que boicotemos compras no Aliexpres por causa do trabalho escravo que é tão explorado na China.

No mais tem que estar claro na mente dos crentes e dos gays que nós como crentes, não temos o direito de coibir ou impedir o acesso de homossexuais a direitos sociais, e a comunidade LGBT não tem direito de intervir em práticas religiosas, seja ela qual for e Se o próprio Cristo não se defendeu quando foi humilhado, despido, surrado, amarrado, posto entre ladrões e antes de morrer ainda pediu ao pai que perdoasse aqueles que assim fizeram, quem sou eu pra agir de outra maneira? Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem!


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