Entendendo o que é Religião


A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. (TIAGO 1:27)

Antes de tudo é bom entender que, apesar do ULB ter como temática principal o cristianismo, iremos tratar nesse texto do que é religião de um modo mais geral e como ela ou elas são relevantes para a sociedade como um todo, independente de existir nos indivíduos crença ou não. 




Por quais motivos falar de religião?

Uma observação rápida mostra como esse assunto impacta o mundo ao nosso redor, além de que o conhecimento religioso pode responder perguntas que o homem vem fazendo desde tempos imemoriais: quem somos? Por que nascemos? Por que morremos? O que acontece depois da morte? Além de que conhecer as religiões gera tolerância. Como Jostein Gaarder escreve no fantástico “Livro das Religiões” que, aliás, é a referência principal para esse artigo: “Tolerância não significa necessariamente o desaparecimento das diferenças e das contradições
, ou que não importa no que você acredita, se é que acredita em alguma coisa. Uma atitude tolerante pode perfeitamente coexistir com uma sólida fé e com a tentativa de converter os outros”.

Como surgiu a religião e o que é?

Uma das primeiras teorias que descreveram a origem das religiões foi elaborada pelo antropólogo E. B. Tylor que se apoiava nas ideias darwinista. Segundo ele as religiões evoluíram juntamente com o ser humano que, conforme adquiria mais conhecimento cultural e tecnológico, passava do politeísmo (crença em diversos deuses) para o monoteísmo (crença num único deus). De acordo com Tylor as religiões tribais não haviam ido além da idade da pedra, logo sua religião ainda se mantinham politeístas. Ele chamava essas religiões (segundo ele) primitivas de animistas por ter como característica principal a crença de que todas as coisas possuíam espírito os quais era necessário apaziguar, mas logo sua teoria foi refutada pelos estudiosos das religiões por ser considerada inadequada para explicar as práticas religiosas tribais.

Outros estudiosos tentaram explicar a origem da religião tendo por base fatores sociais e psicológicos. Karl Marx, por exemplo, acreditava que a religião não passava de uma construção que tinha por base fatores econômicos. Essa explicação é conhecida como reducionista por sustentar que a religião é reflexo de apenas um elemento. O que dirige a história, de acordo com Marx, é o modo como a produção se organiza e quem possui os meios de produção, as fábricas e as máquinas. A religião simplesmente refletiria essas condições básicas.

Hoje sabemos que a religião tem sim ligação com o social e com o psicológico, mas possui estruturas próprias, independentes desses elementos externos.

Como as teorias que explicam a origem das religiões, existem varias definições do que é religião. Talvez a mais adequada e que gerou uma maior abrangência foi a de Nathan Söderblom (1866-1931), arcebispo e estudioso das religiões, que ofereceu uma definição baseada nos sentimentos humanos: "Religiosa ou piedosa é a pessoa para quem algo é sagrado". Então religião é relação com o sagrado.

A partir do conceito de Nathan, Micea Eliade, outro estudioso das religiões, em seu livro “O Sagrado e o Profano”, elaborou o que seria o conceito de sagrado e do seu oposto, o profano. De acordo com Eliade, o Sagrado seria algo que é separado e consagrado; profano denota aquilo que está em frente ou do lado de fora do templo. Ele acredita que o homem obtém seu conhecimento do sagrado porque este se manifesta como algo totalmente diferente do profano.

Socialmente falando a vivência religiosa não faz distinção entre o plano ético e o religioso. Os costumes tribais, as regras e princípios morais da casta são tão religiosos quanto as orações e os sacrifícios. Entre os Dez Mandamentos que Moisés deu aos judeus havia os que tratavam da religião — "Não terás outros deuses diante de mim" — e os relativos à ética — "Não matarás". Incluem-se nos cinco pilares dos muçulmanos tanto o orar a Deus como o dar esmolas aos pobres. Não há aqui distinção entre a ética e a religião. A noção do ser humano como uma criação divina implica que ele é responsável perante Deus por tudo o que faz, ritual, moral, social e politicamente. Os seres humanos que corrompem esses valores na busca desenfreada da satisfação dos seus desejos e de poder.

Os críticos à religião atribuem a ela o ódio, o desrespeito, a ignorância e diversas outras mazelas da sociedade. Mas desprezam o fato de que esses lamentáveis elementos são encontrados até mesmo em sociedades não religiosa ou mantida por regimes totalitários e que não tem na religião sua causa primeira,  mas devido a natureza humana ser produtora de boas e más atitudes. Mesmo que não houvesse religião, seres humanos teriam as mesmos feitos de ódio, desrespeito, intolerância, fantismo. Não são as religiões que degeneram o mundo, mas os homens que as praticam e será assim mesmo que a política, a sociedade ou o dinheiro se tornem sagrados mais do que já são.


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