Ser Crente



Escrevi esses dias no meu perfil do Facebook que hoje em dia é melhor ser crente do que ser evangélico. A ideia era ressuscitar uma frase que na minha infância era muito popular: "crente todo mundo é". Quando alguém dizia que fulano "virou crente", junto com um ar de desdem e torcendo o nariz vinha essa pérola "crente todo mundo é". Isso acabava fazendo com que aqueles que se sentiam compromissados com as doutrinas cristãs fizessem de tudo para não serem identificados com essa palavra, afinal crente todo mundo era.

Naquela época o termo "crente" não era muito bem visto no mundo evangélico e era também usado por não evangélicos para designar aqueles que não se comportavam como o mundo secular. "Crente não fuma, crente não bebe, crente não namora. Tem crente que nem televisão vê. Crente é aquele cara sério, que não gosta de brincadeiras. Só quer saber de igreja e trabalho" diziam esses. De fato não fazíamos essas coisas mesmo. Ser crente era não se comportar como os não crente, ser crente era não estar inserido no mesmo ambiente que os não crentes (não pelas pessoas em si, mas por não se inserirem, não se sentirem bem compartilhando as experiências e mantendo o mesmo comportamento). E se alguém virasse crente deveriam assumir a mesma postura se quisesse ser reconhecido como crente. Só que esse termo quase desapareceu, pelo menos passou a ter menos importância na hora de caracterizar os crente. Em alguma época nos últimos vinte anos passaram a designar os que seguem as doutrinas cristãs mais frequentemente como evangélicos. Os tempos mudaram.

"Os evangélicos não. Esses são um povo alegre, receptivo, que gosta de festas. Alguns até frequentam bares e vão em boates. Não são como os crentes de antigamente." Verdade, tudo verdade. De fato Cristo foi caracterizado como glutão e beberrão: "Então chega o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: ‘Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!’ Todavia, a sabedoria é comprovada pelas obras que são seus frutos”. Ai dos povos incrédulos" (Mateus 11;19). O problema é que não cumprimos a segunda parte do versículo. A sabedoria de muitos evangélicos não é comprovadas pelas obras que são seus frutos. Acho também que esse é o nome que menos caracteriza os que seguem a Cristo. Evangélico passa a impressão de que só os Evangelhos são a parte da bíblia que importa, passa uma ideia de amplitude muito grande que não corresponde com a abrangência real do chamado cristão.

Mas convenhamos se você que lê essas linhas recebeu o Verdadeiro Chamado, há de concordar comigo que como o mundo nos identifica não tem importância. Um amigo que admiro muito resolveu que não importa o nome que melhor caracteriza os que seguem a Cristo. Segundo ele se fosse escolher como gostaria de ser chamado por causa da sua fé, preferia que o reconhecessem  como os primeiros crentes que eram chamados de "Os do Caminho".

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