Louco! Esta noite te pedirão a sua alma.

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Estava lembrando dessa passagem hoje. É contada no capitulo 12 de Lucas. Esse verso é o 20, mas é uma capitulo que vale a leitura (clique aqui). Como de costume Jesus estava cercado de uma multidão de milhares, na verdade o texto fala de muitos milhares de pessoas. Mas como sempre sua atenção principal eram os seus discípulos e a multidão em volta ouvia a mensagem, João relata que a principal motivação daquela multidão em seguir a Cristo era porque tinham recebido pão e se saciado: “Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” – João 6:26. Seja como for o fato é que Cristo ensinava aos seus discípulos e a multidão ficava em volta ouvindo, muitos esperando pão, muitos armando-lhe ciladas e muitos querendo que Jesus resolvesse seus problemas.

E desse monte de gente um grita lá do meio “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança”. (Lucas 12:13). Jesus responde: “Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?”Lucas 12:14. A gente tem muito disso de querer que Deus resolva nossos problemas. Quero dizer, Jesus está ali tratando de como seus discípulos seriam perseguidos, levados às sinagogas e governantes e vem uma pessoa preocupada com seu problema familiar com o irmão que não queria dividir com ele a herança. “Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?”Lucas 12:14. Foi mais ou menos como ele dizer “esse assunto não é comigo. Procure um juiz ou alguém que se preocupe com isso”.

Em tudo Cristo tem uma lição. “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.”Lucas 12:15. Outra versão fala em ganância. Avareza se refere a quem tem pena de gastar dinheiro mesmo com o que é necessário, ganância é gostar de ganhar dinheiro e sempre querer mais, nunca estar satisfeito com que tem. Então ele conta a parábola do homem que teve uma grande produção em suas terras.

Então lhes contou esta parábola: “A terra de certo homem rico produziu muito bem. Ele pensou consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita’.
“Então disse: ‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou? ’“Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”. Lucas 12:16-21

Acredito que a censura de Cristo a postura do homem na parábola não fosse por ele acumular bens, mas pela postura que o homem toma depois que aumenta seus celeiros e coloca todo seu excedente de produção lá: “Não tenho onde armazenar minha colheita’. Então disse: “‘Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’”. (Lucas 12:17-19). Ele só toma essa postura de descansar, comer e beber, em outras palavras “relaxar”, depois que tem seus celeiros cheios. Essa postura que Jesus critica. Se ele dissesse: “Grande é o meu Deus pela benção!!! Serei instrumento e abençoareis outros, lhe entregarei minha oferta prestar-lhe-ei culto!” ou então “Não são meus celeiros cheios que me trazem tranquilidade, mas a fé no Senhor” Jesus não o criticaria. O problema daquele homem não era a acumulação de bens em si, mas o fato de depositar na condição de ter muitos bens o seu estado de tranquilidade.

Apesar de frequentemente dinheiro ser tabu nas igrejas e pessoas prosperas financeiramente serem até mal vistas nas igrejas, riqueza por si só não é pecaminoso. Tanto que que no texto que estamos tratando, Deus não interfere ou fala com o homem até que ele termine a frase “E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se”. O problema é condicionarmos nossa tranquilidade na confiança trazida por esses bens.

Gosto da contra partida de Cristo depois que conta essa parábola. Ele volta sua atenção novamente aos discípulos e faz novas comparações sobre os pássaros que não armazenam em celeiros e os lírios que se vestem tão bem, melhor até que o próprio rei Salomão. E diz que se ele trata assim criaturas aves e ervas do campo, porquê procederia diferente com seus discípulos.

Contudo, esse é também um capitulo muito difícil de se ler apesar das promessas. Implica numa renuncia tremenda de tudo o que é material. Lembrando que esses bens não são impedidos de ser adquiridos, mas que tem que se ter consciência de que não são nossos, mas instrumento nas mão de Deus. E que adquiri-los sequer deva ser nosso propósito. “Não busquem ansiosamente o que hão de comer ou beber; não se preocupem com isso. Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas.” Lucas 12:29,30 Alias, Pedro faz a mesma pergunta que eu me fiz: Pedro perguntou: “Senhor, estás contando esta parábola para nós ou para todos?” – Lucas 12:41.

Outra coisa que me chama atenção é que Cristo não nomeia uma instituição pra ser a detentora das doações, não tem isso de “leve ao templo e deixe aos pés do altar, aos cuidados dos sacerdotes”. Ele diz: “Vendam o que têm e dêem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói.” Lucas 12:33.

Isso é tão ao contrário do que escutamos e aprendemos!! É tão absurdamente contra o senso comum!! Tão fora da curva do que temos em voga que simplesmente me amedronta! O investimento do seu tempo, dinheiro, esforços, amor, dedicação, ansiedade, vontade, desejos, e tudo o que se pode experimentar como ser humano deve ser voltado unicamente ao serviço do reino. Alias ele diz isso: “Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas.” Lucas 12:31. É o mesmo que dizer que vocês se importando com o que é do Reino e querendo ajuntar tesouros lá, comer e se vestir não serão problema, e “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino”. Lucas 12:32.

Como disse o apostolo Paulo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”. Romanos 8:18

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