Todavia, não há um só justo na terra…

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“O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.” Gênesis 3:23

“Todavia, não há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque.” Eclesiastes 7:20
Quando estava escrevendo o post anterior, me deparei com uma verdade inquietante que faz toda diferença no modo como estamos inseridos nesse mundo. E é uma verdade mais do que evidente que muitas vezes cai como uma bomba na cabeça do ímpio (aqueles que ainda não foram atingidos pelo Evangelho de Cristo) e o faz repensar toda sua existência. Essa verdade indiscutivelmente é que fomos expulsos do paraíso e mais do que nunca nossa necessidade e de voltar pra lá. Mas a verdade é que fomos expulsos do paraíso.


Pense comigo: fomos expulsos do paraíso e a consequência mais imediata desse fato é que perdemos um monte de regalias que experimentávamos antes da queda e de que, fora a comunhão com o próprio Criador, não fazemos ideia de quais essas regalias poderiam ser. Nem mesmo podemos dizer que experimentávamos a uma vida eterna, já que morte na bíblia também pode ser apontada como separação de Deus. Talvez não trabalhássemos pelo nosso alimento, ou podíamos falar com os animais, ou ainda que nós tivéssemos conhecimento pleno de Deus e de tudo o mais que ele criou (o que acho difícil). Mas fomos expulsos do Paraíso e por mais que nos lamentemos e nos contorçamos em auto piedade nada pode mudar esse fato da vida. Nem a reconciliação com Cristo muda esse fato já ela nos redime, mas não muda um episódio bíblico com a nossa expulsão.

Fomos expulsos do paraíso, mas ainda assim acredito que tenha sido feita com todo amor. Fomos expulsos do paraíso, mas ainda assim acredito que só o fomos porque nossa nova natureza não poderia ser mantida naquele ambiente ou ainda que a obra de redenção não pudesse ser operada se fossemos mantidos lá, gozando de uma existência como se nada tivesse acontecido. Acredito que era um lugar pra satisfazer as vontades e necessidades do ser humano perfeito, podemos dizer que a Queda nos fez perder o controle pleno dos nossos impulsos e, como diz aquela metáfora bem clichê: é necessário que o ferro passe pelo fogo para ser moldado, ou ainda que o vaso seja quebrado e o barro remodelado para dar lugar à outra forma, melhor e maior. Então o lugar criado foi feito para uma criatura boa aos olhos de Deus e não podíamos mais usar essa prerrogativa, já que nossa desobediência fez- nos imperfeitos e por isso fomos expulsos. Digo que formos, estamos e seremos na primeira pessoa porque qualquer um teria a mesma postura de Adão e de Eva. Qualquer homem e mulher na história fariam as mesmas coisas que eles fizeram e a história se repetiria. Por isso escolhemos, desobedecemos e fomos expulsos.
Mas fomos expulsos e temos que viver com esse fato. Ouvi um amigo uma vez se queixando do calor e que era por culpa de Adão e Eva que, se não tivesse desobedecido, teríamos o direito de andar nus por aí e nos aliviar do calor. Mas e se deixássemos essa auto piedade de lado e resolvêssemos aceitar o fato? E se sim, aceitássemos esse fato e de verdade olhássemos pra dentro da gente e disséssemos que sim fomos expulsos e que nada pode mudar isso, e que não há necessidade de querer compensar nosso estado e com ideias vãs de reparação a Deus. Tenho pra mim que, assim como alguém dominado por algum vício, a aceitação de um estado seja o primeiro passo para, não se livrar dele, mas para controlá-lo. Um viciado nunca deixa de ser viciado e tem consciência disso, o que ele aprende é a controlar seu vício a partir de um passo primeiro: aceitar a sua condição enquanto viciado.
Contudo nosso problema é ainda maior. Tão maior que o Apóstolo Paulo diz o seguinte:
“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” Romanos 3:10-18
Isso quer dizer que um viciado conseguiria abster-se do uso de alguma substância, mas nós enquanto pecadores não, já que tudo o que fazermos está contaminado com a consequência de nossa desobediência original. Tudo o que fazemos está influenciado pelo pecado. E isso é um fato que não pode ser mudado. Somos pecadores e devemos entender isso como um estado imutável e mesmo os nossos melhores atos são vistos como trapos de imundícias como disse o profeta Isaias em “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.” Isaías 64:6. Só nos resta aceitar o fato de que somos irremediavelmente pecadores e de que fomos expulsos do Paraíso e precisamos reconhecer isso. Só assim podemos procurar ajuda não que cure nosso estado, mas onde ele não faça diferença. Pecamos contra o céu e contra Deus e não somos dignos de ser chamados de seus filhos. (Lucas 15:18,19) “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” (Romanos 3:23).

Minha intenção não é trazer alívio, pelo menos não nesse post, mas inquietação e consciência de nosso estado. Minha intenção é dizer que é o que somos hoje e, mesmo que a obra de Cristo tenha nos atingido e revelado nossa real natureza e através dele e nele tenhamos um breve vislumbre do que poderíamos ter sido, somos irremediavelmente pecadores e inegociavelmente e somente abraçando essa verdade podemos nos levantar e procurar os braços do Pai.

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